
Careca e pesado, fumando sempre, o
tio Moisés vivia sentado como um
buda tailandês,
coçando o lombo com o pé descalço ao
cão Piruças – fiel apóstolo que só o largava para um
xixi
junto à cabana do quintal, ao pé dos
coentros.
Lá repisou, naquela tarde, a tia Perpétua o
deitar cedo, para não falharem o
carro das sete. Carregando a cruz do
paganismo, conspirava o
primo Libânio – avesso à história dos
milagres,
citava de cor o Ievtuchenko, de quem se tornara,
nos subterrâneos da faculdade, amigo do peito. Serafim
escutava-o, confidente, enquanto
mascavam no quintal umas
azedas,
entre as galinhas da Perpétua e a
coelheira do Moisés, com bebedouros e
caganitas onde aterravam as
moscas.
O primo Libânio batia no
tio Moisés vivia sentado como um
buda tailandês,
coçando o lombo com o pé descalço ao
cão Piruças – fiel apóstolo que só o largava para um
xixi
junto à cabana do quintal, ao pé dos
coentros.
Lá repisou, naquela tarde, a tia Perpétua o
deitar cedo, para não falharem o
carro das sete. Carregando a cruz do
paganismo, conspirava o
primo Libânio – avesso à história dos
milagres,
citava de cor o Ievtuchenko, de quem se tornara,
nos subterrâneos da faculdade, amigo do peito. Serafim
escutava-o, confidente, enquanto
mascavam no quintal umas
azedas,
entre as galinhas da Perpétua e a
coelheira do Moisés, com bebedouros e
caganitas onde aterravam as
moscas.
O primo Libânio batia no
clero,
que alimentava em nome do Estado um
povo de joelhos e o
caprichoso mercado da fé, à sombra de
Fátima!
Serafim espionava, a ver com olhos de
clandestino
se a tia assomava. O primo Libânio imaginava com
clandestino
se a tia assomava. O primo Libânio imaginava com
piedade o tio Moisés, de
barriga deserta,
a comer as moelas da Perpétua num
parque de merendas,
para compensar as dores nos pés da
procissão das velas.
parque de merendas,
para compensar as dores nos pés da
procissão das velas.

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