
Escutava ainda o rufo suspenso dos
timbales
e a voz do mestre de cerimónias, emproada e
sustenida, abrindo o número do
funâmbulo.
Pareceu-lhe ver, no terreiro deserto, com a
fronte voltada para o fim do mundo, o engolidor de
fogo.
François, il-même, arlequim vistoso, em
simultâneo mestre de andas e
malabares.
Talvez voltasse no ano seguinte e a convidasse para um
número a dois. Segui-lo-ia, engalanada de plumas brancas e
maiô, da velha rulote até à liça, para cruzarem de
bicicleta,
venturosos e palpitantes, a
corda bamba.
Talvez voltasse. Mas, até lá, sobrar-lhe-ia o
terreiro deserto, que cruzaria de manhã cedo a caminho da
escola, rigorosa e sedentária, que lhe educava as
ilusões.
Regressaria Jean François? Sorriu confiante, ao recordar a
voz cigana de Carmenzita, que num
baralho de pergaminho
a viu cruzar de bicileta a corda bamba e lhe fez
rufar como um timbale o
coração itinerante.

