22 de julho de 2010

o rapaz da máquina fotográfica












Naquela tarde, não tocaria à
campainha.
Imaginou-a entusiasmada na varanda, entre a
glicínia de cachos floridos,
pavoneando-se como uma
estrela de cinema
perante o nórdico recém chegado e a sua

Kodak.

Não voltaria a ler-lhe os versos do
António Aleixo, a meio do pão com
doce de tomate. A pendurar-lhe entre os cabelos uma
papoila.
A colher para ela, do topo das
silvas, a troco de nódoas e
arranhaduras,

amoras grandes.

Reclamaria no dia seguinte o
grilo cantante
que lhe oferecera pela Quaresma, numa
gaiola de aramezinhos
que ele mesmo fizera. Desdita, ela, pediria
tréguas. Mas vê-lo-ia partir desavindo, sem
compreender por que se entregara de

verniz nas unhas

e olhos pintados aos galanteios dum
príncipe sueco.
Sem poesias nem frutos silvestres; com a Reflex a tiracolo e um
Super Maxi, ele conquistara-a!
Bem lhe dissera o bom do avô não haver
regra sem excepção nem
mulher sem senão.
Perdão, por isso, era o que faltava! Nem
com um banho de

acetona!

Nenhum comentário: