13 de novembro de 2010

a vizinha do quarto andar












Com os cabelos refugiados num
toalhão de cornucópias, mandou-o

en-

trar. Subira insofrido, mandado pela mãe,
para procurar se a menina Isaura teria de sobra algum
Vigor. “A ver se dá sorte", endereçou-lhe o
tipo de bigode que fumava no
quarto com modos de
actor enquanto preenchia um
Totobola.

José, perdido, só tinha olhos para a
cama desfeita da menina Isaura, comprada há dias na

Moviflor.

Dizia-se dela que tinha fama no
Tamariz
e "costurava" nas "soirés" do Casino Estoril os seus
vestidos cinematográficos, à
Jane Fonda. A dona Joaquina da
padaria vendia mesmo que um dos
homens
que habitualmente a trazia a
casa vertia águas numa

sanita

de ouro! Isaura trouxe-lhe o desejado
Vigor e José despediu-se, embriagado com o
sabonete Lux.
Sentiu-se caído duma nuvem alta quando chegou ao

rés-do-chão

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