18 de setembro de 2010

a tia vermelha












Prestara-lhe serviço o decapitado de
Santa Comba, pois que ela fugira em
sessenta e nove de anel no
dedo
com um poeta russo para debaixo da
Ponte Salazar,
onde encontrara a

liberdade

da língua. Talvez por isso, lançou-se um
dia, como um peão de infantaria, à
porta de Belém,
empunhando uma faixa a favor do
divórcio
e maldizendo o Código Civil e os
filhos ilegítimos da

Concordata.

Talvez por isso, odiava as
freiras e outras mulheres cujas
cabeças
serviam apenas para enfiar o
lenço.
Levava a sobrinha a colar
cartazes
na acção militante do

MRPP

e à noite saía, como desenhada por
Mordillo, a pintar paredes por baixo da
lua.
Por baixo dos néons e dos
cartazes publicitários com
maminhas e

cuecas Triumph.

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