
Sombrearam com tons verdes os
olhos pequenos. Esfregaram as pestanas com
pomada de sândalo e
manjerona.
Cobriram de ouro as omoplatas e os
mamilos. Besuntaram, cúmplices, com
gordura de cabrito e sabão das
Gálias os antebraços e as
gargantas. Nas faces redondas puseram
rouge.
Ele convidara-as para a sua festa de
carnaval na casa de férias da
Trafaria.
Nesse domingo de Fevereiro, bateu-lhe à porta o
ouro do Nilo em duplicado. Foi abrir de
peito inchado, vestido à dono da
Bretanha e, recolhendo-as, uma e
outra, debaixo da túnica, conduziu-as ao
quintal, para uma
gasosa.
Cheiravam bem. Tomaria um banho no
meio das duas em leite de
cabra, mesmo sabendo que os seus soldados passavam
fome. Elas sorriam-lhe enigmáticas e
pisavam-lhe como cleópatras desafiadoras as
sandálias.
Davam-lhe beijos arrebatados, que se misturavam com
papelinhos de furador e
serpentinas.
Ao fim da tarde, acompanhou-as com a sua
espada ao cais de embarque, de onde
partiram com o papá, que diziam chamar-se
Ptolomeu. Cruzaram o Tejo num
cacilheiro melancólico,
refectido como em tela de cinema nos
óculos dele, que visionou com nostalgia o
regresso a casa das suas
rainhas.

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