
Repentinos, sibilantes, choviam
foguetes. Misturado com o cheiro a estrume e o
traje festeiro das raparigas, corria o suor de
improvisados
toureiros.
Engalanados de
peões de brega, encenavam cites e lances de
capote. Faziam de conta que empunhavam
bandarilhas
e, às vezes, dançavam, como
berlindes,
por baixo do
bicho. Lavavam as feridas com
cervejas minis e,
logo renascidos, de mãos na ilharga e
curvilíneos,
citavam de largo, executando
paradinhas, e prometendo, como
acrobáticos guarda-redes, suster no abdómen a
cabeçada.
Mas o bovídeo, que até se vestia da cor do
Eusébio, passava à
defesa. Inerte ficava, com focinho de
Jesus Cristo, pregado às
tábuas.
O público, bravo, marrava com
ele. Cornudo, teimoso, assim seria até que
viessem, chocalheiras, as vacas madrinhas para o
recolher. Debandava indigno, sem seguir glorificado para o
matadouro,
como os tios de cartaz. O povo vaiava. Recomeçava o
paso doble. De novo estalava no céu um
morteiro.

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