
De mala às costas, Guilherme transpunha a
porta de casa, pesando as
contas de multiplicar que lhe enxameavam o
caderno diário.
Dino visitava-o no fim dos deveres, para
imaginarem, flatulentos, a
bicicleta
à Joaquim Agostinho que a sorte lhes traria pelo
Natal, ou para cus-
pirem com balanço e ao desafio para o terraço da
porteira,
que era estúpida e cheirava a
Omo.
Coleccionavam, no dia seguinte, buracos nas calças e
nódoas negras nas
canelas.
Na ausência de esférico, pegavam no
“Espaço: 1999” e acomodavam-se com as
mãos riscadas pelas
canetas
de feltro aos comandos da
Eagle, para descolarem como
Alan Carter e John Koenig em direcção a
Marte.
Às vezes, escondiam-se num
recanto qualquer a tirar
macacos
do nariz e a moldá-los entre os
dedos
como berlindes, para os lançarem depois pelo
ar, a ver quem chegava mais longe.

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